Segundo pesquisas realizadas em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), há no país o equivalente a 5,7 milhões de pessoas no Brasil
com alguma Deficiência Auditiva,o que representa 2 % da população brasileira. Dessas,mais
de 406 mil em idade escolar,no entanto,somente cerca de 74 mil cursavam a
educação básica. Tais resultados confirmam o
quanto essa população está fora da escola, motivos estes que justificam a
urgência de estudos e intervenções nessa questão.
A educação dos surdos tem se mostrado
sempre como um assunto polêmico que requer cada vez mais a atenção de
pesquisadores e estudiosos da educação. As propostas educacionais desenvolvidas
ao longo do último século não se mostraram eficientes e encontra-se um grande
número de sujeitos surdos que após anos de escolarização apresentam uma série
de limitações, não sendo capazes de ler e escrever satisfatoriamente.
Implicações essas,cujas maiores conseqüências se fazem observar na inserção dos
surdos no mercado de trabalho. Discriminação e preconceito são problemas que
ainda afligem a grande maioria dos portadores de deficiência auditiva.
Muitas vezes, essas pessoas tendem a ser excluídas amplamente da vida social,
econômica e política da comunidade, devido ao desconhecimento de suas
necessidades no planejamento das políticas, programas e instalações físicas.
Vários estudos apontam para fracassos e insucessos, prós e contras, tanto do
ensino especial, exclusivamente voltado para o atendimento da pessoa surda,
como da inserção desses sujeitos no ensino regular (Revista Espaço 1997).
Estatísticas, apontadas pelo IBGE (2010) revelam as seguintes taxas:
Educação em classes comuns
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Educação para surdos ou
classes especiais
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- 25.974 – estudantes surdos
- 31.190 – com deficiência auditiva
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- 11.473 – estudantes surdos
- 5.715 – com eficiência auditiva
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Nesse sentido, focalizar estudos sobre a prática educacional que envolve
os surdos pode revelar-se muito interessante, já que abre uma perspectiva de
discussão perante certas perspectivas do funcionamento dos sujeitos e de
dinâmicas em sala de aula que podem trazer contribuições importantes para a
reflexão dos múltiplos papéis das instituições escolares e do governo.
Entrevista
Várias são as instituições e organizações espalhadas pelo
país,que prestam serviços de auxilio e proteção as pessoas com surdez. Dentre
as muitas, pode-se fazer referência ao Centro de Atendimento a Pessoas com
Surdez (CAS) do Estado de Alagoas. O Centro tem a missão de produzir e difundir
conhecimentos científicos na área de surdez e melhorar a qualidade de vida dos
surdos do nosso estado. Para melhor
aprofundar a análise do tema proposto,foi realizada uma entrevista com Radjalma
Teixeira, Graduado em Tradução/Interpretação de
Língua Portuguesa e língua de Sinais Brasileira. Atualmente trabalha no CAS-AL,
no Atendimento Educacional Especializado - AEE, e No Senai-AL como
tradutor/Intérprete. Informando que é atuante na educação de surdos a 10 anos.
Algumas perguntas foram realizadas:
1. Como funciona e educação especial para deficientes auditivos ? Qual o método
adotado pelas escolas ?
Atualmente a educação de surdos está fundamentada na política de inclusão, e
nas leis que garantem a permanência e acessibilidade desses alunos nas escolas.
Com a Lei 10436/2002 e o Decreto 5626/2005 esses alunos tem como garantia a
presença de um tradutor/intérprete em sala de aula fazendo valer assim o
direito de ter acesso aos conhecimentos em sua língua natural, a Libras. Embora
esse direito seja garantido por lei, ainda há bastante precariedade no que diz
respeito as especificidades dos sujeitos surdos, pois, o projeto
educacional está formulado para atender uma maioria, os ouvintes, que ouvem e
falam o português, e não atendem as especificidades de um sujeito dos sujeitos
que não dominam a língua portuguesa, e se expressam em uma outra língua, e com
um agravante: uma língua de modalidade completamente diferente. Por mais
competente que seja o tradutor, ele não consegue transformar o projeto
educacional num projeto que venha atender as necessidades dos surdos.
2. Como funciona o setor público da educação para esses alunos ?
O setor público aqui no estado tem avançado muito no que diz respeito a
educação de surdos! Há escolas - chamadas Escolas Pólos - onde esses alunos tem
a garantia de um intérprete, desde as séries iniciais até o ensino médio!
Porém, ainda falta interesse por parte do serviço público em garantir de fato
esse direito, pois esses profissionais são contratados e não concursados, não
havendo investimento em capacitação continuada, salários justos, e etc...
3. Quais as maiores dificuldades enfrentadas pelos alunos ? Existem propostas
para solução desses problemas ? Quais ?
As dificuldades são muitas. Além da questão curricular não adaptada, existe sim
dificuldades em relação a família, na própria comunicação, e isso acarreta num
problema muito maior: no desenvolvimento da linguagem, ou melhor dizendo, no defict de linguagem! Muitos desses alunos não
conseguem acompanhar o ritmo educacional pelo fato de ainda nem terem um bom
desenvolvimento de linguagem e compreensão na sua própria língua. Muitos
conceitos básicos são desconhecidos.
4. Como tem sido o apoio do estado com relação a inclusão ?
Como dito anteriormente, Alagoas tem avançado, e muito. Esses alunos tem a
possibilidade de, em seu contraturno, ter atendimento educacional especializado
- AEE. O centro responsável por esse apoio é o CAS -Centro de Atendimento ao
Surdos. Esse centro, órgão da Secretaria de Educação , regido pelo GERESP,
também é responsável por capacitações como: cursos de libras para as famílias
de surdos e para a comunidade, curso de formação de professores em educação e
surdez, curso de formação de tradutor/intérprete, apoio às escolas pólos, além
de atendimentos as próprios surdos por meio de oficinas de desenvolvimento de
linguagem, aquisição de primeira língua, atendimento psicopedagógico,
fonoaudiológico dentre outros. Porém, ainda faltam muito mais investimentos,
pois faltam profissionais capacitados além de que esse trabalho ainda não está
ramificado ao ponto de atender os diversos municípios nos quais, muitos surdos,
famílias e profissionais da educação estão sem esses serviços.
5. Em relação a formação
profissional e mercado de trabalho, como ocorre a integração do surdo ?
Hoje o mercado de trabalho para as pessoas surdas
tem aberto as portas. Além disso, os próprios surdos tem buscado se
profissionalizarem através de graduações, cursos técnicos e
profissionalizantes. Devido a divulgação da língua de sinais e de sua
importância, empresas tem se dedicado a investir em cursos de libras para seus
funcionários. mas esse número é mínimo. O surdo sim, ainda encontra muitas
barreiras, pois não há intérpretes nos diversos setores da sociedade, limitando
assim a conquista de espaços.
Como já analisado, muitas coisas já foram
conquistadas e muitos espaços abertos e ocupados. Mas muitas coisas ainda
precisam ser modificadas, principalmente para aqueles portadores de deficiência
que sofrem pela falta de uma política governamental e/ou de uma sociedade civil
mais efetiva. Dessa forma a efetiva participação da pessoa surda na sociedade
implica a ampliação de seus direitos a oportunidades sociais,profissionais e
educacionais como a maioria da pessoas tem acesso e na sua aceitação perante a
comunidade.